Julie Andrews: our everlasting gift of music.

domingo, 9 de maio de 2010
Como alguns já devem saber, hoje foi o grande dia em que Julie Andrews, minha querida diva-mor, voltou aos palcos de Londres, após uma ausência de 30 anos.

Aos amigos leitores de primeira viagem, Julie teve que se submeter a um procedimento em 1997 para remover calos que haviam se formado em suas cordas vocais, e em decorrência da negligência médica dos profissionais responsáveis pela cirurgia, sua linda voz foi prejudicada... Julie ficou tão transtornada ao descobrir que não poderia mais cantar, que se viu obrigada a procurar ajuda em uma clínica de reabilitação para traumas durante um curto período.

Julie se apresentando na Arena O2, em Londres.
Fonte: Getty Image

Logo, voltar aos palcos para se apresentar torna-se algo extremamente especial. Mas este já não é o primeiro concerto no qual Julie faz parte - houveram outros durante o ano de 2008 nos Estados Unidos, na turnê nomeada como "The Gift of Music." Nestes concertos, Julie canta duas ou três músicas, fazendo uso do método sing-speak que foi bem utilizado por seu co-star Rex Harrison em My Fair Lady, pelo ator Robert Preston em The Music Man, e por ela mesma em Princess Diaries 2: Royal Engagement. Além disto, ela convida cantores da Broadway para colaborarem com apresentações.

Julie Andrews devolve aos nossos corações a felicidade de tê-la aos palcos.
Fonte: Getty Image

O show de Londres não seria diferente - haveria inclusive a narrativa que ela realizaria de "Simeon's Gift", uma adaptação de um livro que escreveu junto com sua filha Emma Walton Hamilton.

De antemão, já sabia que neste show das poucas músicas que Julie fosse cantar, uma delas seria A Cockeyed Optimist, canção escrita pela premiada dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein para o musical South Pacific. E felizmente pude obter algumas informações sobre o concerto à medida que este ocorria. A primeira parada cardíaca foi saber que ao final do primeiro ato houve um sing-along de Do-Re-Mi, puxado por Julie. Imaginem que coisa maravilhosa? Ela também cantou My Funny Valentine. O repertório contava ainda com outras canções de  South Pacific, The King and I, The Sound of Music entre outros.

Em contrapartida, já li comentários contrariados partindo de pessoas que demonstram ignorância quanto ao conteúdo do "concerto." A opinião individual do público sempre termina sendo muito subjetiva, mas as reclamações estão direcionadas à questões que a Julie repetiu exaustivamente em entrevista após entrevista -  que sua voz já não era a mesma, que ela não cantaria durante o show inteiro, e que ela esperava que as pessoas entendessem e não saissem decepcionadas. Ainda sim, houveram aqueles que esperassem que Julie rompesse palco afora, exibindo a voz que um dia cantou I Could Have Danced All Night ou Supercalifragilisticexpialidocious.

Bem, eu particularmente não estaria ligando pra nada disso. No auge do concerto, eu não me importaria de ver Julie cantando ou recitando atirei-o-pau-no-gato, pois qualquer porcariazinha que fosse me faria feliz pro resto da vida. A ocasião, por si só, se registra como um momento único e inigualável.

Julie Andrews no palco da Arena O2, acompanhada da Orquestra.
Fonte: Getty Image

Enfim, acabei de chegar em casa e resolvi olhar o youtube. Surpresa, surpresa, pois não é que já haviam videos feitos durante a apresentação de hoje?

Eis então a performance de Julie Andrews de A Cockeyed Optimist - versão esta que me reduziu a um rio de lágrimas. Estou tão, tão orgulhosa que me faltam palavras. Esta é a prova do quão ela é incrivel, corajosa e impressionante.


Adoro-te querida Julie. Obrigada por nos lembrar todos os dias a importância de perseverar.

Um felicíssimo Dia das Mães a ela e as nossas! Bom Domingo.

Our huckleberry friend, Audrey Hepburn.

terça-feira, 4 de maio de 2010
No início da minha adolescência fui apresentada ao rosto de Audrey Hepburn, sem ao menos entender o que ele verdadeiramente representava - ou melhor, representa. Na minha cabeça, aquela moça cujo nariz  afilado, sorriso honesto e olhar expressivo não era nada mais que uma figura representativa do glamour Hollywoodiano. Para eliminar essa triste concepção, foram necessários alguns anos. Cortando para os dias atuais, noto que a percepção equivocada não é um "faux pas" exclusivo de minha parte, e é exatamente o que me leva a questionar: quem seria Audrey Hepburn?


Seria ela o sinônimo de Holly Golightly - a moça do vestidinho preto de corte reto, com luvas brancas, colar de pérolas, um lindo Ray-Ban Wayfarer e tiarinha na cabeça - que ao sentar na janela e humildemente cantar Moon River nunca falhara em me reduzir a lágrimas? Ou seria a princesa que todas nós um dia sonhamos ser, fugindo de suas obrigações por alguns momentos, passeando e se apaixonando Roma afora? Ainda, seria ela a filosófica garota de beleza ordinária, a momentos de ser transformada na nova cara da moda de Paris? Ou não seria ela uma vendedora de flores a passos de virar uma de nossas eternas "Fair Ladies" da sociedade?

Para os que não tiveram a oportunidade de se aprofundar em sua biografia, estas inevitavelmente tornaram-se associações ao seu nome, a sua pessoa. Entretanto, para os que puderam transcender as imagens de suas personagens, que são sem sombras de dúvida tão marcantes e simbólicas de sua carreira, Hepburn pode ser vista como um ser iluminado, que se dedicou incontestavelmente a ajudar o próximo; que se transformou em sinônimo de beleza, ao carregar uma aparência pouco convencional, porém única; com um caráter honesto, íntegro, e que procurava transmitir mensagens positivas ao mundo.

Pessoalmente falando, Audrey transcendeu algumas de minhas barreiras psicológicas, e conquistou seu lugar de respeito e merecimento em meu coração.

Ela, que era um ser extremamente especial, cuja grandeza e talento permanecem inegáveis em face da admiração e carinho de milhões, teria completado ontem (04 de Maio) 81 anos de vida. E embora não possamos mais comtemplar sua matéria, não nos resta dúvidas de que sua memória ficará guardada na História, inspirando gerações adiante.


"People, even more than things, have to be restored, renewed, revived, reclaimed, and redeemed; never throw out anyone."


"I was born with something that appealed to an audience at that particular time...I acted instinctively. I've had one of the greatest schools of all - a whole row of great, great directors."



"I understood the dismay of people who had seen Julie on Broadway. Julie made that role her own, and for that reason I didn't want to do the film when it was first offered. But Jack Warner never wanted to put Julie in the film. He was totally opposed to it, for whatever reason. Then I learned that if I turned it down, they would offer it to still another movie actress. So I felt I should have the same opportunity to play it as any other film actress."




"People associate me with a time when movies were pleasant, when women wore pretty dresses in films and you heard beautiful music. I always love it when people write me and and say 'I was having a rotten time, and I walked into a cinema and saw one of your movies, and it made such a difference.'"




"Living is like tearing through a museum. Not until later do you really start absorbing what you saw, thinking about it, looking it up in a book, and remembering - because you can't take it all in at once."


"Success is like reaching an important birthday and finding you're exactly the same."




"How shall I sum up my life? I think I've been particularly lucky. Does that have something to do with faith also? I know my mother always used to say, 'Good things aren't supposed to just fall in your lap. God is very generous, but he expects you to do your part first.' So you have to make that effort. But at the end of a bad time or a huge effort, I've always had - how shall I say it? - the prize at the end. My whole life shows that."


Audrey Hepburn
* 04-Maio-1929
+ 20-Janeiro-1993

Thank heaven for little girls…

terça-feira, 27 de abril de 2010
"Thank heaven for little girls," canta Honoré Lachaille (Maurice Chevalier), “Thank heaven for them all, no matter where, no matter who, without them, what little boys do?”

Ao contrário do que hoje poderia ser considerado como um verdadeiro sacrilégio, bem como uma grande apologia à pedofilia, esta deliciosa canção que compõe o vasto repertório de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, celebrava a potencialidade que existe na juventude feminina, dando início à narrativa da comédia musical Gigi, cuja história foi adaptada do romance escrito por Sidonie Gabrielle Colette.

Gigi cantando The Parisians.

O cenário do filme, dirigido por Vincent Minelli, é estabelecido em Paris do início do século 20, introduzindo o tema que será desenvolvido ao decorrer do longa-metragem através da observação cínica de Honoré, que afirma que até mesmo na cidade do amor - título atribuído a capital francesa - nem todas as pessoas têm chance à vida matrimonial. Para os homens, esta é uma decisão tomada por si próprios, ao dizerem não ao casamento em prol do status de "old bachelors". Para as mulheres, a decisão é, consequentemente, imposta. A elas, só lhes resta o destino de "old maids".

Ao sobrinho rico de H. Lachaille, por exemplo, prevalece a primeira opção. Gaston Lachaille (Louis Jourdan) tem potencial como futuro partido das mocinhas que constituem a sociedade parisiense, mas este permanece até então como solteirão. Seus momentos de distração e fuga do tédio são encontrados ao lado de Madame Alvarez (Hermione Gingold) e sua neta, Gilberte (Leslie Caron). Gigi, como assim é conhecida, é uma mocinha jovem e precoce que tem como parte de sua rotina ter que freqüentar a casa de sua tia avó Alicia (Isabel Jeans), para que possa aprender lições de etiqueta e charme. A jovem garota é incapaz de compreender a real necessidade de se tornar uma cortesã, e no que isto implicaria para o seu futuro. Gigi gosta mesmo é de passar o tempo com Gaston, a quem ela, até então, vê com um olhar fraternal, como se o rapaz fosse um irmão mais velho.

Leslie Caron, interpretando Gigi

O inevitável, ao assistir Gigi, é não traçar um paralelo entre o presente filme e o sucesso antecessor da dupla, My Fair Lady. Alguns princípios básicos entre as histórias são ingredientes comuns à receita de bolo que aqui se repete. Isto porque Gigi, assim como Eliza Doolittle, também é submetida ao processo de evolução de patinho feio a cisne, ainda que diante de situações distintas. Ambas têm por necessidade saírem de seus respectivos casulos convertidas a verdadeiras “ladies” da sociedade, educadas de tal maneira que pudessem encontrar um marido que correspondesse a sua altura. Também é introduzida a figura do solteirão invicto e de mais idade, aqui representado por Gaston, ainda que este não possua características similares e que definem tão bem a personagem de Henry Higgins em My Fair Lady. Dando base a minha opinião, em uma review publicada pelo New York Times, o jornalista Bowler Crowther alega que as semelhanças entre os sucessos de Lerner e Loewe são tamanhas que talvez os autores quisessem processar a si mesmos, e reitera dizendo que esta, na verdade, não é uma crítica desfavorável ao filme.

Uma curiosidade que conecta uma obra a outra é a música Say a Prayer For Me Tonight, cantada pela personagem Gigi. A canção que fora composta originalmente para My Fair Lady seria interpretada por Julie Andrews, atriz que viveu Eliza Doolittle nos palcos da Broadway, durante uma cena onde o objetivo seria demonstrar todo o nervosismo da vendedora de flores na noite que antecederia o baile de gala, onde o trabalho de Henry Higgins e Colonel Pickering seria colocado a prova. Com a eliminação da cena, a canção foi reaproveitada.
Ainda que seja o Universo oferencendo uma grande piada cósmica, podemos citar também o fato de que Audrey Hepburn, que viveu Eliza Doolittle na produção do longa-metragem de Jack Warner, interpretou Gigi nos palcos em 1952. Na verdade, o papel ainda foi oferecido a ela antes que o passassem a Leslie Caron, conhecida por An American in Paris.

Gigi e sua tia-avó Alicia, aprendendo a avaliar pedras preciosas.

A parceria entre o diretor Vincent Minelli e Cecil Beaton, que havia trabalhado anteriormente tanto na produção de Fair Lady para Broadway quanto para o cinema, casou perfeitamente, proporcionando visual e figurinos sensacionais da vida e costumes parisienses. São elementos como estes que colaboraram para a construção deste que é considerado o último grande musical da MGM. Gigi não foi sucesso unânime de público ou de crítica, mas arrebatou nove Academy Awards na cerimônia de 1959.


Ainda, carregando o seu próprio charme, e sendo completamente capaz de andar com suas próprias pernas, Gigi garantiu seu lugar de importância na história do cinema, cativando-nos e nos fazendo "agradecer aos céus por existirem jovens garotinhas."

Quotes & Dialogues #16.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

(Dialogue #4)
Captain von Trapp: Now, let's see how well you listened. 
He hands her the whistle.
Maria: Oh, I won't need to whistle for them, Reverend Captain! I mean, mm, I'll use their names! Such lovely names. 
Captain von Trapp: Fraulein, this is a large house. The grounds are very extensive and I will not have anyone shouting. Will you take this please? Learn to use it. The children will help you. Now, when I want you, this is what you will hear.
He whistles.
Maria: Oh, no, sir. I'm sorry, sir. I could never answer to a whistle. Whistles are for dogs and cats and other animals, but not for children and definitely not for me. It would be too... humiliating.
Captain von Trapp: Fraulein, were you this much trouble at the Abbey?
Maria: Oh, much more, sir.
Captain von Trapp: Hmm.
The Captain turns to leave and Maria whistles.
Maria: Excuse me, sir. I don't know your signal.
Captain von Trapp: You may call me Captain.

Quotes and Dialogues #15

quinta-feira, 22 de abril de 2010

(Quote #12)
Mary Poppins: Never judge things by their appearance... even carpetbags. I'm sure I never do.

P.S.: Dani, recebi o pacote há menos de um hora. Adorei, e fiquei muito contente com o seu recadinho. Tratarei de assistir aos filmes assim que puder! Ah, vamos tratar de combinar a próxima troca de filmes, hein? 

tic-tac-tic-tac.

sábado, 10 de abril de 2010
O tempo voa (mas também, nem tanto). O blog está completando 05 meses de existência hoje. Que bonitinho! Que a data se repita por muito tempo.

Mais uma semana, e eu estarei livre dos compromissos da faculdade. Como eu disse, é um período de descanso curto, mas que será recheado de muitos filmes. Espero, assim, poder atualizar o blog algumas vezes.

Me desculpem a ausência de comentários. Beijos a todos e um bom fim-de-semana.

Chico Xavier, uma (cine)biografia.

sexta-feira, 2 de abril de 2010
Algo me diz que eu não deveria estar escrevendo uma resenha – e talvez não devesse mesmo; mas em respeito à memória de Chico Xavier, darei uma breve pausa em minha corrida vida acadêmica para falar-lhes de sua (cine)biografia lançada hoje, no dia em que comemoraria o seu Centenário.


"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Sob direção de Daniel Filho, o filme Chico Xavier, cuja história é baseada no livro escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior, As Muitas Vidas de Chico Xavier, narra de maneira sucinta (ao menos dentro do gênero cinebiográfico) a trajetória do médium e cristão Francisco Cândido Xavier, nascido no interior de Minas Gerais; homem materialmente pobre, com um espírito de pura riquesa; um célebre "facilitador" da palavra da Doutrina Espírita no Brasil. 

Memórias do menino que aos quatro anos de idade têm sua mediunidade aflorada, ou de sua juventude e as tribulações que se apresentam diante de seu dom e do desenvolvimento da Doutrina Espírita no Brasil, ou até mesmo sua velhice são intercaladas à temporalidade na qual seria considerada como presente: a participação de Chico Xavier no programa Pinga Fogo, da extinta TV Tupi, onde o mesmo passaria por uma verdadeira sabatina realizada por diversos profissionais à procura de desmascará-lo e desmoralizá-lo. Ainda, em trama paralela à vida de Chico, segue a história de um casal, interpretados por Christiane Torloni e Tony Ramos, que passam por séria dificuldade em aceitar a morte abrupta de seu filho.

Diante do assunto ao qual o filme aborda, esta potencialmente seria a oportunidade de colocar a Doutrina Espírita em evidência, talvez à procura de uma melhor (ou maior) aceitação da sociedade, ou esclarecimentos acerca de sua procedência. Ao invés disso, o filme procura focalizar na pessoa humana do fenômeno que todos consideravam ser Chico Xavier. Ainda mais, o filme transmite a mensagem de solidariedade ímpar a qual todos, sem excessão, temos por necessidade de encontrar no próximo, e que se constitui como parte da esperança que inevitalmente abrigamos dentro de nossos corações.

Em termos técnicos, a fotografia e edição de imagem são extremamente dignas de felicitações. Comemora-se, por si só, o fato de não termos o uso excessivo de recursos computadorizados para dar (literalmente) aura a Emmanuel, espírito-guia de Chico, o que poderia ter facilmente reduzido os efeitos visuais a um terrível clichê. E as transições das montagens na cronologia são muito bem construídas. O roteiro é equilibrado, e narra sem melodramaticidade ou endeusamento da personagem principal, com pequenas injeções bem-humoradas que quebram a tensão do história. Além disto, o filme traz um elenco honesto e despido de possíveis interpretações canastronas. Em especial, vale à pena comentar o trabalho sólido de Nelson Xavier, ator que interpreta Chico durante sua terceira idade. Nelson está assombrosamente preciso, ambos em caráter físico e intelectual, e é capaz de envolver até os mais incrédulos na história e mistérios acerca do mundo da Espiritualidade e luz o qual Chico Xavier fazia parte.

Felizmente, o longa está fadado a ser sucesso de bilheterias. Crentes ou não naquilo que não é (supostamente) tangível ou explicável, veremos famílias brasileiras saindo de suas tocas para brevemente testemunhar através de um filme que cumpre sua missão, nos cativando e emocionando, a trajetória deste que foi inegavelmente iluminado por Deus.

Trechos da participação que de fato ocorreu durante a década de 70, de Chico Xavier no programa Pinga Fogo, são exibidos durante a rolagem de créditos, dando fim àqueles que duvidam da veracidade de partes da narração, acrescentando um toque extra à qualidade do longa-metragem.

É bom reconhecer à quantas léguas o cinema brasileiro anda.