Mostrando postagens com marcador the supersecs. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador the supersecs. Mostrar todas as postagens

Nada como uma boa secretária... (parte quatro)

domingo, 13 de junho de 2010
O término deste semestre letivo se aproxima e eu gradativamente vou ficando mais aliviada. Coisas boas têm acontecido durante as últimas duas semanas, embora eu deva admitir que sejam parcialmente assustadoras. De todo modo, é um medo bom (se é que isso seja possível), e que não deve me deter diante dos desafios que surgirão daqui pra frente. Com o tempo mais ou menos livre, vem a boa notícia de que terei mais chances de atualizar o blog. Entretanto, ainda não encontrei a inspiração apropriada pra voltar a escrever resenhas de filme. Logo, estou retornando com mais um trecho daquele livro “The Super Secs: Behind the Scenes with the Secretaries of the Superstars.” De antemão aviso que este é um capítulo longo, mas de todo especial, a meu ver, pois se trata de uma narração sobre os eventos em torno do casamento de Julie e Blake.

(The Super Secs: Behind the Scenes with the Secretaries of the Superstars!)

Lá eu estava tomando sol na beira da piscina do Blake, em um dia de Novembro, no tipo de clima que a maioria das pessoas amaria, caso fosse o mês de Junho, mas ao contrário do que parece, eu não estava simplesmente vadiando – eu estava lendo um roteiro o qual Blake queria a minha opinião, e, simultaneamente, estava aproveitando para pegar um bronzeado. Eu era tão pálida quanto um marshmallow, e para que não ficasse a marca, tinha desamarrado as tiras da parte superior do meu biquíni. Com a minha sorte, eu já estaria tostada na hora em que terminasse de ler o script. Durante isto, pensava também que no dia seguinte eu teria que escrever alguns rascunhos de cartas para Blake, e imaginei que talvez isso também pudesse ser feito na área externa.
Absorta em minhas idéias, eu fui interrompida pelo som da voz de Blake, que me chamava. “Linda!” Quando olhei para cima, o encontrei sentado à beira da minha espreguiçadeira.
“Deve ser um roteiro e tanto, hein? Você nem notou que eu estava aqui!”
“É, acho que eu estava mesmo bem entretida,” eu respondi, reparando na expressão que ilustrava o seu rosto. O seu sorriso lembrava aquele do Gato Cheshire, de Alice no País das Maravilhas.
“Então, qual é a boa?” Eu perguntei. “Já sei. você conseguiu fechar o negócio relacionado ao seu filme.”
“Não, é algo bem mais importante. Eu…” Ele parou e não prosseguiu, fazendo somente uns movimentos incompreensíveis com as mãos.
“Tá, diz logo. O que é?” Eu nunca tinha visto o Blake agindo desse jeito.
Ele agarrou a minha mão e levantou, me arrastando pra longe da minha espreguiçadeira. “Aqui não, vamos à edícula.” Eu o segui obedientemente e depois me dei conta de que a parte superior do meu biquíni estava deslizando, mostrando bem mais que um mero decote, mas pelo o que eu havia percebido isso pouco importava, pois a mente de Blake estava em outro universo.
Ele, então, me sentou no sofá de vime da edícula e depois se apressou para que pudesse trancar todas as portas. Aproveitando a chance, amarrei as tiras do meu biquíni, soltando um suspiro, mas que não era de completo alívio, já que eu não tinha certeza de quão bem eu teria amarrado o biquíni, e em seguida sentei esperando ansiosamente.
Blake voltou e sussurrou, “Julie e eu iremos nos casar.”
Eu dei um pulo e exclamei “CASAR? QUE MARAVILHA!” dando-lhe um grande abraço, antes que eu pudesse lembrar que estava toda lambuzada de bronzeador. Blake se recuou – mas do grito, não do óleo bronzeador.
“Shh…” ele sussurrou novamente. “É um segredo, e nós não iremos contar a ninguém,” ele disse, olhando furtivamente para os lados, como se houvesse a possibilidade de ter alguém nos vendo ou nos escutando.
Eu diminuí o tom da minha voz, mas não do meu entusiasmo. “Ah, Blake, eu estou tão feliz por vocês dois! Quero dizer, isso não é de causar nenhum espanto, pois você e a Julie são o casal mais perfeito. E eu amo tanto a vocês dois, e isso é tão romântico... E vocês se amam tanto, eu sei que vocês serão muito felizes,” eu disse, com os olhos enchendo de lágrimas.
Blake me entregou um lenço e me sentou novamente no sofá de vime, puxando uma cadeira em seguida, para que ele pudesse sentar em frente a mim.
Suavemente ele disse, “Nós iremos nos casar amanhã.”
“AMANHÃ!?!” Eu gritei.
“Linda, isso é um segredo!” Ele retrucou.
Eu diminuí o volume da minha voz outra vez. “Desculpe-me, mas como é que vocês vão conseguir se casar amanhã? Vocês não têm a licença e os exames de sangue, e aonde vocês irão arranjar a pessoa pra oficializar e organizar a cerimônia? Ah, você não tem como casar amanhã, Blake. Você tem aquela exibição de Darling Lili à tarde, e não pode faltá-la. Além de todos os executivos da Paramount, Bob Evans também estará lá.”
“Linda, o plano é o seguinte”, ele iniciou, usando um tom de conspiração que dava a impressão de nós estarmos organizando um assalto a banco ao invés de um casamento. “Nós iremos nos casar às 13 horas, no jardim próximo a cascata, na nossa área externa, porque aquele é o canto preferido da Julie. Nós já falamos com o Reverendo Smith e ele vai oficializar a cerimônia, tenho certeza que podemos confiar que ele não falará nada. Quanto ao exame de sangue, nós o fizemos hoje de manhã, com o Dr. Tanney. Amanhã de manhã nós sairemos às oito da manhã para iremos a algum lugar fora de Los Angeles para conseguir a licença. Dessa forma a impressa não irá descobrir nada. Como você pode ter percebido tudo havia sido pensado antes. Não é uma grande surpresa?”
“E com relação às crianças – vocês irão contar a eles?” eu questionei, me sentindo pouco satisfeita. “E a equipe de funcionários? Eles estarão aqui amanhã. E quanto a exibição de Darling Lili, você quer que eu tente cancelá-la?
“Uma coisa de cada vez,” foi o que ele respondeu. “Primeiramente – não, nós não iremos contar às crianças até que eles voltem da escola, caso contrário eles vão querer faltar à aula Segundo – a Julie contará à equipe de funcionários amanhã de manhã. Terceiro – você está coberta de razão, a exibição de Darling Lili é de extrema importância e não devemos cancelá-la, então nós iremos a ela de qualquer jeito. Agora Julie e eu iremos olhar algumas alianças. Vejo você amanhã.”
Depois disso eu retornei à minha espreguiçadeira e ao roteiro, apesar de estar muito exaltada para continuar a ler e me bronzear. Paciência, isso era um sinal de que passaria o resto da minha vida parecendo um marshmallow. Eu estava muito preocupada pensando que eu talvez fosse explodir, visto que eu estava morrendo de vontade de ligar para o Ron, que era o namorado com quem eu vivia, para compartilhar a novidade. Claro e evidente, eu não podia.
Voltei pra edícula, tomei um banho pra tirar o óleo bronzeador, vesti a minha calça e camisa de algodão, e passei o resto da tarde rabiscando, quando não perdida em meus devaneios. Como era maravilhosa essa história da Julie e do Blake! A decisão de casar era completamente apropriada para eles dois... Eles estavam profundamente apaixonados, sempre doando e partilhando, e mal conseguiam manter as mãos longe um do outro, sempre cheios de beijos e abraços. [...]
Meus pensamentos voaram até chegar a hora de ir para casa […] Na manhã seguinte eu não tive a menor idéia de que roupa eu deveria usar para ir trabalhar. Ron poderia perceber que algo de anormal estaria acontecendo caso eu usasse um vestido, mas em contrapartida eu não poderia usar calças em um casamento, poderia? E o que será que Julie iria usar? Eu não queria usar algo que precisasse de muito trabalho.
A melhor solução foi colocar um par de jeans e uma camiseta, e esperar até que Ron estivesse entretido em suas pinturas para que pudesse colocar meu vestido de lã bege, sapato marrom e meia-calça em uma sacola dentro do carro. Às pressas, eu disse adeus e fugi.
Se o plano de Blake fosse seguir o cronograma, ele e Julie estariam indo naquele instante para Orange County. Logo, pensei, eu teria tempo para fazer uma parada a caminho do trabalho para comprar um presente para Julie.
Fui dirigindo até uma loja cujo ridículo nome era Lindas Noivas de Beverly Hills. A vitrine era cheia de vestidos, véus, além de um bolo de casamento de cinco camadas. “Algo velho, algo novo, algo emprestado e algo azul,” eu disse a mim mesma enquanto atravessava a porta em formato de um cupido, e ao adentrar imediatamente o encontrei – era uma cinta-liga azul de cetim e renda. Não era muito original, mas era perfeito.
“Vou levá-la,” eu disse à vendedora.
Após a compra voltei ao carro, e cantei enquanto dirigia até a casa de Blake. O dia estava glorioso, ainda mais bonito que o dia anterior, servindo como um maravilhoso presságio.
Continuei cantando até chegar à edícula, somente parando quando parar tirar a camiseta e colocar o vestido. Examinando o meu reflexo no espelho, penteei meu cabelo pela última vez, peguei a cinta-liga azul e desci até a casa para pegar um copo de café. Quando entrei na cozinha, Lottie Hope, a cozinheira, parou a sua mistura para me olhar, e disse “Você está muito bonita, querida. Você deve estar arrumada para ir a um casamento.”
“Obrigada,” eu respondi sorrindo. “A dona Andrews lhe contou?”
“Contou sim”, disse Lottie, enquanto retornava à sua mistura, “E eu não posso deixar que ela case sem ao menos ter um bolo.”
Eu sorri mais uma vez, peguei meu café e atravessei a casa a caminho do meu escritório, e reparei que a casa aparentava estar recebendo um toque especial. Os cristais, assim como os azulejos do piso, pareciam ter estar brilhando mais que o normal, e as almofadas da sala de estar pareciam estar mais amaciadas. Quando eu avistei Sarah, a empregada, polindo a prataria, confirmei minha suspeita de que tudo estava recebendo um trato a mais. A equipe de funcionários estava ansiosa, querendo que tudo saísse perfeito.
“Flores!” Subitamente pensei, “É disso que eu precisava!” Corri ao meu escritório e liguei para o florista, bajulando-o – ok, na verdade eu o subornei com uma foto autografada pela Julie para a filha dele – para que ele entregasse os arranjos dentro de uma hora; depois retornei a cozinha para conversar com a Lottie.
“Não sei por que estou tão nervosa, Lottie. No estado de ansiedade em que me encontro as pessoas até poderiam acreditar que quem está casando sou eu”, eu falei enquanto beliscava as tiras de aipo que ela estava cortando.
“E você deveria estar, garota.” Ela retrucou.
“Este cheiro divino é de que?”
“É porco, querida. Você não pode ter um casamento sem ter um almoço. Toda essa comoção vai deixar as pessoas com fome,” ela argumentou. Eu concordei, pegando mais uma tira de aipo, e ela continuou explicando, “Por isso, nós teremos porco, salada e queijos. Estou organizando um pequeno buffet no foyer. Você consegue pensar em alguma outra coisa que eu poderia estar esquecendo?”
“Não, tudo parece ótimo. Olha lá, alguém está na porta.”
Eu respondi à campainha e dei boa vinda ao Reverendo Smith na sala de estar. Logo após termos sentado, a campainha tocou pela segunda vez. Dessa vez era o Dr. Tanney e a sua esposa. Ele carregava uma câmera e explicou que achava que Julie e o Blake iriam gostar de ter algumas fotografias tiradas.
Lottie trouxe uma bandeja com café e biscoitos e nós sentamos, conversando, até eu olhar para o meu relógio e perceber que já era meio-dia e vinte e cinco. “Não tinha percebido que já era tão tarde,” eu disse agitada. “Onde estão os noivos? Blake sempre disse que a Julie se atrasaria para seu próprio casamento,” eu falei, forçando uma gargalhada, “Mas nunca pensei que ele também estivesse referindo-se a si próprio.”
Os dez minutos seguintes pareceram durar uma eternidade, e quando escutei o carro deles chegar, corri para cumprimentá-los. “Onde vocês estavam?” balbuciei. “Estávamos ficando preocupados.”
“Você acredita que nos atrasamos porque Julie estava com um desejo desesperador por donut?”
“Um donut? Eu não sabia que você era obcecada por donuts, Julie.”
“Eu não sou” ela confessou, “mas de repente me bateu uma vontade enorme de comer um.”, ela continuou, sorrindo timidamente. “Eu não pude me conter.”
Blake a interrompeu com um beijo e em seguida acrescentou, “Não explique nada, querida, pois estamos atrasados.”
Eles me seguiram até a sala de estar, cumprimentaram a todos, e chamaram o Reverendo Smith para uma rápida conversa particular. Após alguns minutos Blake notou que já era meio-dia e quarenta e cinco minutos. “Querida, é melhor nos arrumarmos”, ele anunciou. Julie se levantou espantada. “Isso significa que eu só tenho quinze minutos para me arrumar para o meu casamento!”
Fui ao meu escritório, peguei a cinta-liga que estava embrulhada em papel de presente, e dei à Julie antes que ela e Blake subissem para se arrumar. Cumprimentei-a com um “Feliz dia de Casamento” e dei-lhe um beijo.

Blake retornou cinco minutes depois, e eu tive que olhar duas vezes para ele para acreditar. Nunca tinha o visto usando um terno. Era verde escuro, trespassado, com uma lapela larga; por baixo usava uma blusa branca e uma gravata listrada. Arrumado daquele jeito ele parecia ter saído de uma página da revista Gentleman’s Quartely. Nervoso, ele sentou na sala de estar conosco, esperando por Julie, quando de repente se levantou e correu para a área externa, pedindo que eu o acompanhasse. Obediente, porém confusa, eu o segui.
Lá fora ele olhou para a encosta, deixando o seu lado diretor tomar conta. “É, acho que irá funcionar!” Foi o que ele afirmou. Eu perguntei o que iria funcionar e ele respondeu, “O ângulo, é perfeito. Venha e me ajude a configurar o gravador de vídeo. Nós iremos filmar a cerimônia para que as crianças tenham a chance de assisti-la assim que chegarem após a aula.”
Juntos nós pegamos a câmera, o tripé, um cabo bem longo, e subimos até a colina. Sempre o profissional, Blake focou a câmera da lente no pequeno espaço gramado onde a cerimônia seria realizada. O jardim era realmente belo. À direita havia árvores e flores, e a casa à esquerda. A encosta onde nós estávamos era copiosa e havia ainda mais árvores, além de flores de todos os tipos, com cores e perfumes mais variados. No centro, havia rochas por onde desaguava uma cascata.
Blake ligou o cabo à câmera e nós retornamos à unidade de gravação, que era ao lado da casa. Lá, ele ligou a outra ponta do cabo e explicou, “A câmera funcionará automaticamente. Tudo o que você precisa fazer é ligar o gravador quando eu der o sinal.”
Em seguida Julie apareceu – sua beleza natural ainda mais realçada. Ela havia escolhido um vestido de malha na cor salmão, com a borda branca. Seu sorriso era confiante e a única coisa que denunciava seu nervosismo era a cor pronunciada de suas bochechas. Ao andar em minha direção, ela levantou a saia do vestido o suficiente para que pudesse revelar a cinta-liga, e o Dr. Tanney aproveitou para tirar a primeira foto.
“Estamos prontos para começar?” perguntou o Reverendo Smith.
“Antes disso, poderiam esperar um minuto? Seria o tempo suficiente para eu ir à encosta. De lá tiraria as melhores fotos,” Interveio Dr. Tanney. Então nós o esperamos enquanto ele subia.
“Está tudo nos conformes, Herb?” Blake questionou, e o médico afirmou, dizendo que sim. Blake me deu o sinal, liguei o gravador de vídeo, e a cerimônia se iniciou.
Enquanto eu escutava o sermão simples, porém eloqüente, senti como se tivesse sendo engasgada. O grande amor que Julie e Blake sentiam um pelo outra era tão óbvio, e estava tão descaradamente estampado em seus rostos, que eu comecei a chorar.
Assisti ao resto da cerimônia debaixo de uma verdadeira cascata de lágrimas. Julie e Blake se beijaram, e eu corri até eles, abraçando e beijando-os, desejando-lhes muita felicidade. Tanney desceu da encosta correndo e a equipe de funcionários quietamente foi para a área externa se unir a nós.
Em seguida Lottie sugeriu que almoçássemos, e nós todos a acompanhamos a caminho do Buffet, no interior da casa. Estávamos com os pratos em nossas mãos quando Blake sugeriu que rodássemos a fita. Animados, nos reunimos ao redor do gravador de vídeo e Blake iniciou a máquina, e depois se distanciou. Nada aparecia na tela da TV. Estava branco. Ele olhou pra mim e me perguntou se eu tinha certeza de que havia ligado o gravado. Eu respondi que sim, tinha certeza absoluta.
Ele tentou ligar e religar a máquina várias vezes, mas sem nenhuma sorte. Depois, tendo uma idéia, decidiu pegar o cabo e segui-lo até a câmera colocada na encosta. Lá, ele descobriu que o cabo estava desconectado, e o levantou para nos mostrar o que tinha dado de errado.
“Eu pensei que talvez tivesse mesmo tropeçado em alguma coisa,” Dr. Tanney finalmente admitiu.
Blake reconectou o cabo, desceu a encosta e virou-se para a sua mulher e atriz. “Querida, que tal uma nova tomada?”
Ela concordou, dizendo, “Claro, Blackie, você sabe que todos dizem que eu nunca fico satisfeita com a primeira tomada.”
Ele se virou para o Reverendo Smith e perguntou se haveria algum problema em repetir a cerimônia. O Reverendo sorriu e disse que não. Pelo contrário, iria fortalecer ainda mais os laços do matrimônio.
“Bem”, Blake comentou, “Parece que essa produção também vai se atrasar um pouco em relação ao seu cronograma,” e todos rimos. Depois, quando ele e Julie se posicionaram novamente para a cerimônia, ele chamou o Dr. Tanney. “Herb, por favor, fique em algum lugar onde nós possamos manter o olho em você.”
Mais uma vez, Blake sinalizou para mim e eu liguei o gravador de vídeo. Em seguida, deu-se inicio a segunda cerimônia, que a propósito, tinha uma conotação um pouco diferente, afinal, era meio absurdo que um diretor e uma atriz tivessem que passar por uma segunda oficialização do casamento, só pelo benefício de ter o registro em vídeo.
Quando o Reverendo Smith perguntou a Julie, “Você aceita a este homem...” ela olhou para Blake com a mesma ternura e amor com a qual tinha olhado para ele durante a primeira oficialização. Mas eu percebi que a boca de Blake havia começado a se contorcer, e eu soube naquele instante que ele estava tentando desesperadamente conter o riso. Abafei a minha própria risada, pois eu sabia que se eu gargalhasse, Blake não resistiria e a cerimônia estaria arruinada. Tentei me focar em Julie, que ainda mantinha a pose de noiva perfeita, mas a sua seriedade, em contraste com a solenidade falsa de Blake só aumentava a minha vontade de rir. Finalmente consegui me focar no chão, enquanto escutava barulhos escapando da boca de Blake – eram risadas disfarçadas. Mordi meu lábio, minha bochecha e até mesmo me belisquei, mas não houve jeito. Por fim, enfiei na boca o mesmo lenço que havia usado anteriormente para enxugar minhas lágrimas.
Graças a Deus que a cerimônia havia sido curta, ou eu teria sufocado. Aliás, quase sufoquei quando me convocaram para que eu repetisse a parte em que eu corria em direção ao casal, para cumprimentá-los calorosamente no final.
Com o replay chegando ao fim, todos se reuniram novamente ao redor do gravador de vídeo. Blake deu um passo para trás e o vídeo do casamento apareceu na tela. Com um grito, Blake nos avisou de que estava registrado, e então fomos almoçar. […] Quanto a exibição de Darling Lili, tudo transcorreu nos conformes, apesar de eu ter ficado surpresa por ninguém ter comentado as nossas roupas chiques. Alguém só chegou a perguntar a Blake o que ele tinha passado a manhã fazendo, no que ele respondeu que estava resolvendo alguns negócios, piscando para mim.
Eu retornei à casa com os recém-casados, me apressei até a edícula para trocar de roupa, joguei meu vestido e o resto das coisas na mala do carro, e corri pra casa para encontrar com Ron. […] Apesar de todo o sigilo, a imprensa descobriu logo que o casamento havia se passado. Algumas horas após Julie e Blake terem tirado a licença, eles foram descobertos por um repórter de Orange County, logo, quando no jornal das 11, Ron e eu escutamos a notícia de que “A Atriz Julie Andrews se casara com o Diretor de Filmes Blake Edwards naquela tarde...” Ron se virou pra mim e questionou se eu sabia daquilo.
Eu só pude suspirar e responder, “Você não acha isso romântico?”

Nada como uma boa secretária... (parte três)

terça-feira, 18 de maio de 2010
Hoje lhes trago mais um capitulo da saga das secretárias, The Super Secs: Behing the Scenes with the Secretaries of Movie Stars. No trecho a seguir veremos que até uma diva como a Julie sabe aplicar bem todas (e eu digo todas!) as expressões disponíveis no vernáculo (risos), mesmo que seja nas horas mais inapropriadas (hehe).

Quando fui passar seis meses em Londres, como assistente do Blake no programa The Julie Andrews Specials, me peguei completamente despreparada para enfrentar o sistema telefônico deles. Lá, ter linhas cruzadas é algo tão comum, que o que me surpreendeu é não ter a companhia telefônica anunciando na propaganda que você pode ter duas conversas distintas pelo preço de uma só. Quero dizer, nada que você fala pelo telefone pode ser considerado confidencial, pois qualquer estranho pode estar do outro lado da sua linha te escutando. 
Pra falar a verdade, eu sei de pelo menos um divórcio e mais dois acordos de filmes que foram cancelados, por motivos que podem ser atribuídos diretamente ao sistema de comunicação de Londres. Lá não há a menor necessidade de gastar dinheiro mandando instalar escutas – a companhia telefônica de Londres faz um ótimo trabalho, e o melhor, de graça!
Para a maioria das pessoas, um serviço tão precário como esse é simplesmente um inconveniente. Mas pro Blake isso é traumático, já que ele telefona pro mundo inteiro como se estivesse ligando para um vizinho qualquer. Quando ele se ausenta devido a alguma viagem, ele passa a ligar regularmente para casa – duas vezes por dia, uma de manhã e uma à noite.
Vários anos atrás ele se encontrava em uma festa em Londres quando resolveu ligar para Julie, que estava em Los Angeles. Foi uma ligação que quase causou um incidente de proporções internacionais.
“Olá querida,” Blake a cumprimentou pelo telefone.
“Onde você está?” Julie questionou ao ouvir a barulheira no fundo da ligação.
“Estou em um jantar... Ei tem alguém aqui que quer dizer Oi pra você.”
Alguns instantes depois alguém com um sotaque britânico extremamente carregado falou pela linha. “Olá, Julie.”
“Olá,” Julie respondeu educadamente. Ela ficou se perguntando quem poderia ser, mas presumiu que fosse alguém conhecido, e assim preferiu não questionar a identidade da pessoa.
Em seguida Blake retornou à linha. 
Com um tom de curiosidade e um pouquinho de ciúme, Julie perguntou quem era aquela mulher.
“Princesa Margaret,” ele respondeu, e procurando convencê-la da verdade, Blake estendeu o telefone à sua ilustre acompanhante, que colocou o receptor em seu ouvido a tempo de ouvir Julie dizer, “Princesa Margaret é a minha bunda!”

Nada como uma boa secretária... (parte dois)

segunda-feira, 17 de maio de 2010
Aqui vai mais um capítulo que eu traduzi do livro The Super Secs: Behing the Scenes with the Secretaries of Movie Stars. Neste trecho, Linda Hunter relata como retornou a trabalhar com Blake Edwards e qual era a sua impressão de Julie Andrews antes de conhecê-la.

“Não farei nenhum filme por enquanto, Linda. Irei me dedicar exclusivamente à Causa Negra. Acredito que Alice será capaz de lidar com tudo, então não acho que haverá trabalho o suficiente para vocês duas,” disse Brandon.
Em seguida nos despedimos entre abraços e promessas de manter o contato, e depois me declarei oficialmente desempregada. “Tirarei longas férias...” eu pensei comigo mesma - até receber um telefonema de Blake alguns dias depois.
“Ouvi dizer que você não está trabalhando, e eu estou precisando de alguém...” ele comentou. 
“Bem...” eu hesitei. “Eu estou disponível, mas...”
Meu conflito estava acima da minha vontade de tirar as tais longas férias. A realidade era que a vida de Blake agora envolvia Julie Andrews, e pra ser bem franca, eu estava receosa em trabalhar para a Mary Poppins. Aquela doçura em excesso não era muito atrativa pra mim. Eu conseguia imaginá-la correndo pela casa, cantando “The Hills are alive...” estampando um sorriso capaz de produzir náuseas – toda certinha e apropriada, usando blusas de gola alta, cheias de babados.  
A personalidade dela parecia um contraste extremo em comparação a de Blake, que era dono de uma atitude bem informal, e que tinha uma verdadeira paixão por piadas. Mas eu queria ver Blake de novo, e antes que eu pudesse evitar, me ouvi dizer a ele, “Sim, estou interessada”
Então lá estava eu, durante uma tarde ensolarada de sábado, dirigindo por uma estrada sinuosa a caminho da casa de Blake, me sentindo infinitamente mais segura e confiante do que na tarde chuvosa em que fui à casa de Marlon Brandon, um ano antes.
Blake havia me orientado para procurar um carro que estivesse estacionado na garagem, com um adesivo na traseira escrito “Mary Poppins é uma drogada.”
Eu ri, pensando que este era exatamente o tipo de piada que Blake faria, mas o carro com o adesivo de fato estava lá. Estacionei atrás dele, e andei pelo longo caminho que levava à porta da casa. Ao chegar lá, toquei a campainha.
Uma empregada me recebeu, me levando a uma sala iluminada, com cheiro de velas aromáticas da Rigaud, cheia de flores e pinturas abstratas feitas por Blake, que apareceu quase que imediatamente para me cumprimentar
Seu cabelo castanho agora tinha alguns toques de cinza, mas ele ainda tinha a mesma característica juvenil, e se vestia de maneira bem informal, como sempre - calça cáquis, gola role e um par de sapatilhas. Ele me olhou, depois me cumprimentou com um beijo nas bochechas.
“Como você tem andado, Linda? Você aparenta estar ótima!”
“Eu estive muito bem… ocupada, é claro. Como você sabe, estava trabalhando para Marlon Brandon.”
A reação dele me surpreendeu, apesar de ter sido normal em comparação a de um fã. “Como foi trabalhar para ele? Quero dizer, como ele é de verdade?”
Minha resposta foi evasiva. “Foi bom, ruim, maravilhoso, terrível, bem divertido, uma experiência incrível e sempre muito interessante... da mesma forma que foi trabalhar para você.”
Ele sorriu. “Pois é, você já passou por isso... Mas eu quero que você conheça a Julie.” E como se estivesse esperando por sua deixa, Julie adentrou a sala – quer dizer, eu presumi que fosse Julie, porque ela andou em direção a Blake e lhe deu um abraço e um beijo bem apaixonado.
De todo modo, esta certamente não era a Julie Andrews que eu havia imaginado. Esta mulher era mais alta, mais magra, embora curvilínea, e ela definitivamente não estava usando nenhuma blusa de gola alta com babados. Ela usava uma blusa de seda na cor azul turquesa, desabotoada o suficiente para relevar um modesto decote, e um par de calças brancas bem justas que revelavam sua bela figura. Sua pele brilhosa era impecável, as cores dos seus olhos eram da mesma cor da blusa azul turquesa e o cabelo castanho-claro estava meio jogado para todos os lados – não era extremamente curto e enrolado como eu havia visto em fotos. Ela andou até a mim, sorriu e revelou os dentes mais brancos e perfeitos que eu já tinha visto fora de um comercial de pastas de dente.
“Olá, eu sou Julie Andrews, e você deve ser a Linda. Muito prazer em conhecê-la. Aceitaria uma taça de vinho?”
Eu tomei o vinho enquanto nós três passamos o tempo sentados, conversando, rindo e nos divertindo. Eu não queria que aquela tarde, tampouco que a minha recém amizade com Julie, acabasse.
“Quando eu começo?” eu perguntei.
Blake sorriu e respondeu: “Segunda-feira de manhã.”

Nada como uma boa secretária... (parte um)

domingo, 16 de maio de 2010
Por estes dias encontrei por acidente um livro chamado The Super Secs: Behing the Scenes with the Secretaries of Movie Stars, escrito por Alice Marchak e Linda Hunter, que trabalharam para estrelas como Marlon Brandon, Julie Andrews, Blake Edwards entre outros.

Infelizmente não consegui encontrá-lo na íntegra, e os trechos que possuo são todos relacionados a Julie Andrews e Blake Edwards. Pensei, então, em traduzir algumas anedotas que são de render algumas risadas.

Esta primeira é um relato sobre uma das várias indiscrições causadas por "fãs".
A casa de Julie e Blake, que fica em Beverly Hills, está localizada em uma tranquila curva, cheia de propriedades magníficas, e as pessoas que passam por lá em seus carros dirigem a 20Km/hora. Sim, isto quer dizer que a casa deles consta no mapa com a listagem de casas de estrelas do cinema localizadas na Avenida Sunset Boulevard em Hollywood. E logo após os Edwards terem se mudado para lá, Julie reclamou, impressionada, "Linda, sabe o que as crianças me contaram? Que o mapa já tem nosso novo endereço antes mesmo de termos retirado as coisas do depósito!"  
E uma vez instalados definitivamente na nova casa, tornou-se corriqueiro ter ônibus de turismo parando na porta deles duas a três vezes durante o dia.
Uma tarde me reuni com Julie, Blake e alguns parceiros de negócio que eles estavam entretendo enquanto ofereciam coquetéis. No meio da nossa conversa escutei o som de um ônibus freando lá fora, mas preferi ignorá-lo, já que esse barulho já havia se tornado um tanto quanto comum. Algum tempo depois, enquanto eu me dirigia à cozinha para servir mais bebida ao meu copo, a campainha tocou. 
Algum retardatário, eu pensei, enquanto o mordomo chinês recém-chegado de Hong Kong atendia a porta. Mas, ao contrário do que havia imaginado, eu me deparei com um passageiro do ônibus de turismo - um homem alto e esguio, vestindo uma bermuda, com duas câmeras penduradas em seu pescoço e duas crianças risonhas agarrando suas pernas, questionando, "A Sra. Andrews se encontra?"
"Muito bem," concordou o mordomo entusiasmadamente em seu limitado inglês. "Pode entrar."
Assisti congelada ao mordomo guiando o trio até a sala aonde estávamos reunidos, onde ele anunciou solenemente, "Sra. Andrews, alguém ver você."
"Vocês poderiam me dar licença por um instante?" Julie nos perguntou calmamente enquanto se levantava para cumprimentar os intrusos - e então nós assistimos incredulamente enquanto ela assinou a caderneta de autógrafos de cada um e depois posou com as crianças, que agora aparentavam estar completamente estupefatas, ao passo de que o pai parecia estar bem despreocupado tirando as fotos.
Julie agiu como se isso fosse a coisa mais natural do mundo a acontecer durante suas reuniões, e Blake balançou a cabeça e me olhou com um olhar que expressava tanto orgulho quanto admiração. 
Lá fora o ônibus havia começado a buzinar persistentemente. 
"Ah, eu sinto muito por não poder tirar mais fotos, mas eu preciso ir ou perderemos o ônibus," disse o homem desajeitadamente enquanto pedia desculpas de Julie. "Mas muito obrigado, dona, você é muito bonita."
E então ele disse adeus e acenou para os outros convidados enquanto corria para a porta, com as duas crianças atrás dele. Ao fim, Julie chamou por ele dizendo, "Não esqueça de me enviar algumas cópias!" 
É dose ou não é? Só Julie pra fazer uma coisa dessas.